Foi há ano e meio que o caso BCP começou a fazer as parangonas de todos os jornais portugue- ses. Remunerações indevidas, resultados falseados, abuso de poder, etc., numa fraude a nível nacional. Foi há pouco mais de meio ano que o caso Madoff veio a lume. Perjúrio, branqueamento de capitais e roubo foram as acusações que o antigo corretor em Wall Street enfrentou num tribunal americano, pela maior fraude financeira de sempre, que abalou a América e o mundo.
Ontem, em Nova Iorque, Madoff foi condenado a 150 anos de prisão. Em Portugal, só há poucos dias foi deduzida acusação contra os antigos administradores do maior banco privado português e a sentença final demorará. Lá, nos Estados Unidos, Madoff declarou-se culpado e pediu desculpas às suas vitimas. Cá, ficámos a saber ainda este fim-de-semana que Jardim Gonçalves, ex-presidente e fundador do BCP, mantém algumas mordomias - segurança privada, viagens em jacto particular -, apesar de já nada ter a ver com o banco. Lá, nos Estados Unidos, a justiça funcionou de forma rápida. Cá, como de costume, a investigação criminal "arrasta os pés" e dá a ideia de que ou funciona mal ou não funciona mesmo.
É verdade que o facto de Madoff ter confessado os seus crimes ajudou a que o caso se resolvesse rapidamente. Mas Pedro Caldeira também o fez, depois de ser detido nos Estados Unidos, e demorou uma eternidade a ser julgado. O que nos leva a concluir que o problema da morosidade da justiça portuguesa é crónico. É verdade que dá garantias, mas tarda e de que maneira. E sempre à custa dos contribuintes.
Fonte: Diário de Noticias







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